quinta-feira, 13 de junho de 2024

A POEIRA DO SAARA

 


A POEIRA DO SAARA FERTILIZA A FLORESTA AMAZÔNICA

O Saara e a Amazônia podem ser dois ambientes completamente opostos, já que se um trata de um deserto com baixos índices pluviométricos e quase sem biodiversidade, enquanto o outro é uma região de floresta equatorial com alto regime de chuvas e a maior biodiversidade do mundo. Todavia, estes dois ambientes estão conectados e um influencia o outro para seu desenvolvimento. Este vínculo acontece todos os anos por meio da poeira que viaja em suspensão milhares de quilômetros do Deserto do Saara até a Floresta Amazônica.

OBSERVAÇÃO:
OS PROBLEMAS DO SAARA NÃO SÃO OS MESMOS QUE OS PROBLEMAS DO DESERTO DO NORDESTE DO BRASIL.

O DESERTO DO SAARA

O Saara é o maior deserto quente da Terra com 9,2 milhões de km², sendo maior que o território brasileiro, e se localiza no extremo norte do continente africano. Esta região apresenta índices pluviométricos muito baixos, o que provoca o desenvolvimento de um terreno árido e com altas temperaturas durante o dia. O Saara se estende por 10 países, entre eles o Egito, lar da antiga e poderosa civilização egípcia, fato que desmistifica a incapacidade de crescimento de populações humanas em locais tão secos. 

É importante ressaltar que os desertos normalmente são áreas no globos que são definidos na climatologia como regiões de Alta Pressão. Isso significa que os ventos presentes na atmosfera terrestre descendem até a superfície, impossibilitando a formação de nuvens e, consequentemente, chuvas. Além disso, as zonas de Alta Pressão atmosférica, alimentam com ventos as zonas de Baixa Pressão, ou seja, as massas de ar migram de uma região para outra. 


TADRART ACACUS

NUTRIENTES NA POEIRA DO SAARA 

Há alguns milhares de anos, o Saara não era um deserto quente como na atualidade. A região era repleta de lagos e rios, modificando a aparência seca e arenosa para vales verdes e mais úmidos. Estes corpos d’água eram ricos em algas e microorganismos, o qual hoje deixaram como “herança” um terreno nutritivo, principalmente fosfato. Este íons são suspensos na atmosfera todos os anos, devido às fortes tempestades de areia que ocorrem no interior do deserto.


A FLORESTA AMAZÔNICA

A Floresta Amazônica é a maior floresta equatorial do mundo com 6,7 milhões de km² e se localiza no extremo norte da América do Sul. Ela se estende por 9 países e sua maior extensão se localiza dentro do território brasileiro. É uma região com chuvas regulares, com a maior concentração de espécies por hectare e fundamental para todo o clima da América do Sul.

Diferente dos desertos, as florestas úmidas normalmente são regiões de Baixa Pressão Atmosférica. Ou seja, os ventos quentes próximos da superfície ascendem, auxiliando a formação de nuvens de tempestades, o que justifica a alta pluviometria destes ambientes.



NO INTERIOR DA FLORESTA AMAZÔNICA 

SOLO DA FLORESTA AMAZÔNICA

Devido aos altos índices de chuvas, o solo amazônico frequentemente sofre uma intensa lixiviação, ou seja, a água retira muitos nutrientes que existem no terreno. Portanto, os solos da Amazônia não são férteis. Entretanto, a floresta auxilia no desenvolvimento da flora e, consequentemente, da fauna local, porque existe a reciclagem de material orgânico que se dispõe nas porções superficiais do solo da floresta.

 

DESCOBERTA DA NASA

Um estudo da Goddard Space Flight Center (NASA) identificou e mediu a quantidade de areia que viaja do Saara para o continente americano, percebendo que cerca de 182 milhões de toneladas se deslocam pelo Oceano Atlântico todos os anos e cerca de 27 milhões se direcionam à Amazônia. Estas partículas normalmente viajam em formato de aerossóis, nos quais são imperceptíveis aos olhos humanos.

Este estudo se iniciou para mensurar o quanto essa poeira polui a região do Caribe e América do Norte. Porém, encontrou-se esse deslocamento significativo para a floresta equatorial, chamando a atenção de pesquisadores. 

Por meio de análises químicas, perceberam que a composição da poeira encontrada na Amazônia tinha concentrações similares dos mesmos elementos químicos do Deserto do Saara (como alumínio, silício, ferro, manganês e fósforo). Este fato retirou a hipótese que esses aerossóis viessem de uma região árida mais próxima (nordeste brasileiro, por exemplo) e sim da região desértica do outro lado do oceano.

Foram realizados outros estudos e com eles concluíram que as Zonas de Alta Pressão e de Baixa Pressão presentes no Saara e na Amazônia, respectivamente, eram muito grandes e intensas, o que influenciava a movimentação de fortes massas de ar por longas distâncias. 



Movimentação da poeira por meio das massas de ar do Saara até a Amazônia. (Fonte: BBC Brasil)

FOSFATO

O fósforo é um elemento químico de número atômico 15, massa 31 e símbolo P. Com ele é possível criar o fosfato, que é um íon poliatômico composto por um fósforo e quatro oxigênios. Quando encontrado de forma natural, o fosfato é importante para fertilização adequada do solo, pois é um nutriente essencial para o crescimento saudável das plantas.


FERTILIZAÇÃO DA FLORESTA AMAZÔNICA 

A Floresta Amazônica produz bastante matéria orgânica por meio de folhas, frutos, madeira e animais mortos em decomposição, o que realimenta o terreno com diversos nutrientes, entre eles o fósforo. Todavia, grande parte destas substâncias são lixiviadas, já que muitas são solúveis em água, o que prejudica o desenvolvimento da floresta.

Dentre os 27 milhões de toneladas de poeira que migram do Saara para a Amazônia, cerca de 22 milhões são componentes com fósforo. Isso é quase a mesma quantidade que a própria floresta cria com a matéria orgânica superficial do solo. Sendo assim, as poeiras advindas do Saara por massas de ar são essenciais para a preservação da mata e crescimento saudável das plantas, pois o fosfato funciona como um fertilizante muito eficiente para o solo amazônico pobre. Portanto, observa-se que o Sistema Terra é bastante dinâmico e conectado, sendo fundamental a proteção destes ambientes, porque biomas distantes e totalmente distintos se auxiliam para a manutenção da diversidade ambiental do planeta.  

Autor: Luiz Felipe Pacheco Santos


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FONTE: MINAS JR






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