sexta-feira, 7 de junho de 2024

AQUÍFERO NA AMAZONIA - PARTE 02

 


"SAGA, O MAIOR AQUÍFERO DO MUNDO"


O QUE É UM AQUÍFERO?

MAS AFINAL, O QUE É UM AQUÍFERO?

Basicamente, os aquíferos se caracterizam como uma formação geológica capaz de armazenar e transportar água através do subsolo.

Caso queira saber mais sobre os aquíferos e sobre sua importância em linhas gerais, e veja direto um texto exclusivo sobre aquíferos, aqui mesmo no site. 

Como será mostrado ao longo do texto, é importantíssimo saber diferenciar os tipos de aquíferos de acordo com sua porosidade, que são:


AQUÍFERO POROSO ou GRANULAR – Quando a água é armazenada nos espaços entre os grãos da rocha ou solo. Ocorre em rochas sedimentares clásticas.


AQUÍFERO FISSURAL ou FRATURADO – Quando a água é armazenada nas fraturas interconectadas da rocha. Ocorre em ígneas e metamórficas onde as fraturas são localizadas em regiões de fraqueza preferencial.


AQUÍFERO CÁRSTICO – Quando a água é armazenada nos condutos e canais de rochas carbonáticas.

Imagem ilustrando, de forma rasa, os tipos de aquífero. 

TIPOS DE AQUÍFERO. Fonte: estudandoaquíferos.


QUAL A IMPORTÂNCIA DOS AQUÍFEROS?

Já não é tão incomum assim ouvir que a próxima grande guerra mundial será determinada pela água e sua escassez. Nesse contexto, surge a importância dos aquíferos para a humanidade.

Além de serem a segunda maior fonte de abastecimento de água doce do mundo, ficando atrás apenas das geleiras e glaciares, essa formação geológica é de extrema importância para o estudo da evolução da crosta terrestre, no que tange a estratigrafia e a sedimentologia.

Outra grandíssima importância dos aquíferos diz respeito à capacidade de serem contaminados e mal explorados: é aí que entra o importante termo ”Áreas de Recarga”. 

As áreas de recarga são os locais por onde a água abastece os aquíferos e podem ser divididas em dois tipos:

RECARGA DIRETA – diretamente relacionada à topografia e geografia do ambiente, além da vegetação natural que aumenta o índice de permeabilidade dos solos. Nela, os rios influentes são responsáveis por abastecer os aquíferos.

RECARGA INDIRETAS – ocorre em aquíferos que não possuem contato direto com a atmosfera, que são abastecidos através de outras rochas ou outros aquíferos.

Para que os aquíferos mantenham seus altos padrões de qualidade, é imprescindível que as áreas de recarga sejam mantidas e preservadas, com presença de vegetação natural, longe de fontes contaminadoras como indústrias, zonas com incidência de agrotóxicos e/ou sem saneamento básico. 

COMO E PORQUE OCORRE A CONTAMINAÇÃO DOS AQUÍFEROS?

Não é de hoje que o solo vem sendo utilizado como local de descarte para quaisquer resíduos. Contudo, a sociedade vem se tornando tão complexa que a proporção de resíduos despejados tem aumentado drasticamente, ultrapassando a capacidade do solo de reter poluentes.

Diante disso, ainda que sejam mais protegidas do que as águas superficiais, as águas subterrâneas são contaminadas quando os poluentes ultrapassam a porção não saturada do solo.

Mas quais são as fontes que emitem tais poluentes? Inúmeras. Lixões, aterros mal operados, efluentes e resíduos em atividades industriais, atividades minerárias que expõem o aquífero, sistemas de saneamento ”in situ”, uso incorreto de agrotóxicos/fertilizantes e muitas outras.

O contexto do SAGA não é diferente. Em oposição ao Aquífero Guarani, que possui acesso apenas por suas bordas, as águas do Sistema Aquífero Grande Amazônia são permanentemente livres, e de acesso mais fácil. Logo, a contaminação urbana nas grandes e médias cidades, a alta incidência industrial por sobre regiões do aquífero e a exploração indevida, e até mesmo ilegal, por parte de madeireiras tem causado um impacto negativo na qualidade das águas do SAGA.

O QUE SÃO RIOS INFLUENTES E EFLUENTES?

Outra importante diferenciação para sistematizar o entendimento dos aquíferos, e consequentemente do SAGA, é a classificação dos rios com base nas relações de drenagem com as águas subterrâneas (os aquíferos).

Nesse contexto, um rio influente é aquele que perde água para o subsolo por infiltração, ou seja, que abastece um aquífero. Em contraponto, um rio efluente é aquele que recebe água do subsolo, aumentando sua vazão e drenando parte da água dos aquíferos. 

Essa classificação é explicada da seguinte forma: se o fundo do rio está acima da zona saturada do solo, a água que escoa pelo rio pode infiltrar, formando um rio influente.


COMO ATUA O MAIOR AQUÍFERO DO MUNDO?

Como citado anteriormente, o Sistema Aquífero Grande Amazônia possui 162.520 km³ de água disponíveis, o equivalente a mais de 150 quatrilhões de litros de água doce. Tendo como base as taxas anuais de consumo mundial de água, é possível afirmar que somente o SAGA poderia abastecer toda a população mundial por 250 anos.

É importante esclarecer que esse altíssimo volume é formado pela união de 4 bacias sedimentares diferentes, como ilustrado no quadro abaixo. 


Quadro com as bacias que compõe o SAGA, e seus volumes.

BACIAS COMPONENTES DO SAGA

Esse é um estudo bem detalhado, clique no link.
Fonte: Águas Subterrâneas

Após uma série de cálculos e análises litoestratigráficas, foi comprovado que o SAGA teve sua formação durante o Período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.

A relação do SAGA para com a vegetação amazônica é basicamente de interdependência. Sem um, o outro não existiria. E mais, é desta relação entre aquífero e floresta que advém todo o regime de chuvas que chegam ao Sudeste e ao Centro-Oeste. Portanto, pode-se dizer que sem o SAGA, parte do agronegócio brasileiro estaria comprometido.

Por fim, vale a pena esclarecer sobre a situação do SAGA. Embora já tenha sido comprovada seu altíssimo potencial abastecedor, a exploração deste aquífero não envolve um processo fácil. Cidades como Santarém, Manaus e Alter do Chão já utilizam do aquífero como fonte de abastecimento, mas a complexidade do sistema, composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades impede uma fácil exploração. 

FONTE: Minas Jr
Autor(a): Henrique Araujo

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Aquífero Amazônia: O oceano subterrâneo da Amazônia
JoicemaraJoice Mara Araujo  15 de dezembro de 2020


A Amazônia possui uma reserva de água subterrânea com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos; a informação passada por Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA); durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.

De acordo com ele, o Aquífero Amazônia tem o  volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani; depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina; bem como Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.

Dessa forma, segundo ele, a reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm. 

Além disso, o pesquisador ressalta que os conhecimentos a respeito do “oceano subterrâneo” acaba escasso e precisa de aprimoramento tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano; bem como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.

De acordo com Abreu, as pesquisas tiveram inicio há apenas 10 anos; quando ele e outros pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).

Contudo; o estudo indicou que o aquífero, que situado meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país; teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.

“Ficamos muito assustados com os resultados do estudo e resolvemos aprofundá-lo. Para a nossa surpresa, descobrimos que o Aquífero Alter do Chão integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. De forma conjunta, essas quatro bacias possuem, aproximadamente, uma superfície de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, disse Abreu. 

É Chamado de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga); o sistema hidrogeológico começou formação no período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos. Contudo, segundo os pesquisadores “O Saga é um sistema hidrogeológico transfronteiriço; uma vez que abrange outros países da América do Sul. Mas o Brasil detém 67% do sistema”, disse.

Vulnerabilidades

De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema. 

Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.








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