quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

TINTA VIVA

 

As bactérias ficam entranhadas nas camadas do material resistente.


Tinta Viva Pode Embelezar e Ainda Capturar CO2

Uma tinta inovadora, contendo bactérias produtoras de oxigênio, promete embelezar e proteger objetos e prédios e ainda capturar dióxido de carbono (CO2), contrapondo-se às emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem.

E, apesar de seu componente biológico, Suzanne Wilson e seus colegas da Universidade de Surrey (Reino Unido) afirmam que a tinta - que a equipe chama de biorrevestimento - é resistente o suficiente para ser usada em ambientes extremos, inclusive no espaço.

Biorrevestimentos são um tipo de tinta à base de água que envolve bactérias vivas ultrarresistentes em camadas. 

Além de capturar carbono, essas finas camadas também podem servir como biorreatores ou como biossensores.

O material desenvolvido agora, batizado de "Tinta Viva Verde", emprega a Chroococcidiopsis cubana, uma bactéria que faz fotossíntese para produzir oxigênio, para isso capturando CO2. Esta espécie é geralmente encontrada no deserto e precisa de muito pouca água para sobreviver - ela é na verdade classificada como um extremófilo, um ser que consegue sobreviver a condições extremas.

"Com o aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera, especialmente o CO2, e as preocupações com a escassez de água devido ao aumento das temperaturas globais, precisamos de materiais inovadores, ecológicos e sustentáveis. 

Biorrevestimentos mecanicamente robustos e prontos para uso, ou 'tintas vivas', poderiam ajudar a enfrentar esses desafios, reduzindo o consumo de água em processos baseados em biorreatores, que normalmente fazem uso intensivo de água," disse a professora Suzanne.


Tinta Viva Pode Embelezar e Ainda Capturar CO2

Lâmina seccionada do biorrevestimento, vista ao microscópio, destacando as bactérias em falsa cor.

Biorrevestimento Para o Espaço

Para ver se a Chroococcidiopsis cubana poderia funcionar como biorrevestimento, os pesquisadores imobilizaram as bactérias em um material mecanicamente robusto, feito de partículas de polímero e nanotubos de argila natural. Tudo foi feito a seco, mas a seguir a mistura foi reidratada.

As bactérias dentro do biorrevestimento produziram até 0,4 g de oxigênio por grama de biomassa por dia, sempre capturando CO2. 

Medições contínuas de oxigênio não mostraram sinais de diminuição da atividade bacteriana ao longo de um mês. 

Biorrevestimentos de controle, construídos pelos pesquisadores com outras bactérias (Synechocystis sp.) para comparação, não produziram oxigênio.

Se o biorrevestimento não emplacar aqui na Terra, Suzanne acredita que sua tinta viva pode ser perfeita para o espaço: "As Chroococcidiopsis fotossintéticas possuem uma extraordinária capacidade de sobreviver em ambientes extremos, como secas e após altos níveis de exposição à radiação UV. Isto as torna candidatas potenciais para a colonização de Marte."


Bibliografia:

Artigo: Oxygen evolution from extremophilic cyanobacteria confined in hard biocoatings
Autores: Suzanne Hingley-Wilson, Professor Joseph Keddie, Simone Krings
Revista: Microbiology Spectrum
Vol.: 11, No. 5
DOI: 10.1128/spectrum.01870-23


FONTE: 

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA






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